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Estou constantemente preocupado e com “medo de que o pior aconteça”

Tenho recebido cada vez mais pessoas em meu consultório com essa queixa. O discurso é mais ou menos o seguinte: “Não sei o que está acontecendo comigo.  Tenho um emprego que me satisfaz, um bom relacionamento com minha família e amigos e consigo realizar grande parte dos meus desejos. Porém, parece que nunca estou satisfeito e tranquilo. Uma estranha preocupação, sentimento de vazio e às vezes até um certo medo (de algo que não consigo identificar) me acompanham constantemente. Parece que não sei curtir a vida, e acho que ando até com dificuldade para me concentrar”.

Muitas vezes, a própria busca pelos motivos que levam o cliente a ter todas essas sensações levam a um sofrimento ainda maior.

Qual é de fato a “causa” de tudo isso? Primeiramente é importante mencionar que cada caso é um caso, porque cada indivíduo é único e tem suas particularidades e, por isso os tratamentos também diferem. De qualquer forma tenho identificado algumas características em comum em clientes que apresentam esse tipo de queixa:

– O “piloto automático”: Sabe aquela parte da mente que você aciona quando sai de carro para ir ao trabalho ou para voltar pra casa? É aquela atividade do dia em que você não precisa se concentrar, pois de tanto você fazer sua mente já decorou o caminho e já “faz por si só”.  Então, enquanto você dirige sua mente aproveita pra pensar no que vai preparar para o jantar ou em qualquer outra questão mais relevante. O piloto automático é importante na nossa vida, pois permite que sejamos mais ágeis. Mas ele pode se tornar um problema quando nunca é desativado. Viver no piloto automático nos impede de vivenciar e prestar atenção em uma coisa de cada vez.  Na verdade sabemos que quem faz muitas coisas ao mesmo tempo não faz nenhuma delas direito, e a falta de concentração leva a desatenção e ao esquecimento.

– Pensamento voltado para o futuro/passado: Pensar em como será o dia de amanhã, planejar suas atividades a curta, médio e longo prazo, preocupar-se em como vai pagar uma conta no final do mês ou relembrar uma época boa da sua vida são coisas perfeitamente normais. Mas deixam de ser normais quando ocupam grande parte do seu dia e da sua vida. Quando pensamos constantemente em algo que está por acontecer ou já aconteceu perdemos a oportunidade de viver o “aqui-e-agora”.  Quem vive o presente tem menos tendência para “preocupar-se à toa”, pois deixa para se preocupar na hora em que de fato o problema aparece e, assim a resolução acaba sendo mais efetiva.

– Tentativa de afastar sentimentos e pensamentos negativos: Na sociedade em que vivemos parece que existe algo de errado quando se expressa um sentimento/pensamento negativo. Há uma demanda intrínseca de “felicidade e prazer contínuos”. O efeito que isso tem sobre as pessoas é de que sentir e pensar coisas aversivas é um problema, e, sendo um problema precisa ser eliminado. A grande questão é que não tem como viver uma vida tendo somente pensamentos e sentimentos bons. Os negativos fazem parte da vida e precisam ser vivenciados assim como os positivos. A partir do momento em que existe a tentativa de afastar ou até mesmo de negar sensações ruins inicia-se uma batalha interna de racionalização de pensamentos e sentimentos. É uma tentativa de racionalizar algo que não é “racionalizável”, uma vez que não temos controle sobre o que pensamos e sentimos, ao invés de aceitar algo que é inevitável e que faz parte da condição humana.

Manter-se focado no presente, encontrar a hora certa para se preocupar, concentrar-se em uma coisa de cada vez, saber acionar o “piloto automático” no momento adequado e trabalhar a aceitação de sentimentos e pensamentos negativos faz toda a diferença na vida! Se você possui dificuldades em alguns desses aspectos procure um psicólogo.

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