Em alguns momentos do ano, é comum e saudável pausarmos as atividades rotineiras de trabalho, estudo e qualquer outra tarefa, para simplesmente conseguirmos descansar e fazer coisas que nos agradam e dão prazer. Na maioria das vezes, esse período coincide com as férias escolares, que se dão na metade e final do ano.
A psicoterapia, por ser um processo que demanda sessões com presença semanal, acaba, muitas vezes, também sendo pausada durante o período de férias. Em alguns casos, isso não é um problema e, inclusive pode ser saudável ficar algumas semanas sem fazer sessões. Importante mencionar que o terapeuta também necessita de férias. Ao mesmo tempo, em algumas situações, pausar o tratamento temporariamente, pode ser prejudicial. Seguem algumas considerações a serem avaliadas nesse sentido:
- Férias não resolvem os problemas: Algumas vezes, tendemos a perceber as férias como um momento de alívio. Ou seja, os problemas que ocorrem no trabalho, estudo, relacionamentos, entre outros, simplesmente amenizam durante uma viagem de férias, pois, as pessoas tendem a se sentir mais felizes quando estão engajadas em atividades que gostam. Isso não quer dizer que os problemas que causam sofrimento todo resto do ano, de fato estão resolvidos. Torna-se prejudicial pensar que “tudo será diferente depois” ou algo assim, e, com isso, interromper o tratamento.
- Pausar as sessões pode levar a interrupção do tratamento: Dependendo do estágio da terapia e das demandas trabalhadas, pausas podem levar a uma desistência precoce do processo terapêutico. Na maioria das vezes, isso ocorre porque quando ficamos muito tempo afastados de algo que possui um impacto positivo em nós, esquecemos esses efeitos e acabamos desistindo. Exemplo para refletir: O que acontece quando você fica sem atividade física por algumas semanas? Você até lembra que ela era importante, mas, como não sente os impactos diários (ou frequentes) desses efeitos positivos, você acaba desistindo de se engajar novamente nela porque é trabalhoso voltar. Assim, quanto mais o tempo passa, mais parece não fazer mais sentido se exercitar novamente.
- Pausas podem gerar retrocessos: É sempre importante lembrar que a psicoterapia é um processo não linear. Ou seja, as demandas são trabalhadas lentamente, sessão por sessão e, as melhoras ocorrem gradualmente. Ou seja, é uma construção. Muitas vezes, pausar esse processo, pode fazer com que muitas das coisas que se construíram e objetivos que foram alcançados durante o processo, desmoronem. Isso ocorre porque, para que algumas demandas sejam trabalhadas, é extremamente importante que se mantenha a frequência do tratamento e o contato semanal com o terapeuta.
Por todas as questões acima mencionadas, antes de decidir cancelar a terapia durante as férias, converse com seu terapeuta. Peça para ele te ajudar a avaliar o processo, levantar os prós e contras de se fazer uma pausa das sessões, naquele momento e, juntos, encontrem soluções que apresentem o melhor custo benefício para o seu tratamento.


