Terapia Comportamental Dialética: Um tratamento que funciona e demanda esforços

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Nos últimos anos, a Terapia Comportamental Dialética (DBT) tem se tornado cada vez mais conhecida, tanto entre os profissionais da área da saúde, quanto entre o público de pacientes. Certamente, esse reconhecimento é merecido, afinal de contas, até então, não tínhamos um tratamento que trouxesse resultados efetivos para casos onde existe desregulação emocional.  Atualmente temos diversas evidências científicas que comprovam seus resultados positivos.

Desde que comecei a atuar por meio da DBT, venho percebendo que, muitas vezes, quem procura por um tratamento baseado nela, nem sempre sabe ao certo do que se trata e como funciona. Obviamente, isso é esperado. Afinal de contas, ninguém é obrigado a entender ao certo do que se trata essa abordagem. Ainda mais, quando o paciente vem encaminhados por outros profissionais. De qualquer forma, ao mesmo tempo, muitos pacientes chegam com uma expectativa irreal sobre o tratamento. Muito provavelmente, a “fama” que a DBT vem ganhando, acaba fazendo com que se crie alguns mitos a respeito dela. Abaixo, gostaria de citar alguns deles:

– DBT não se trata de um conjunto de técnicas: Muitas vezes, os pacientes chegam até até o tratamento, acreditando que DBT é uma receita de bolo, do tipo “faça isso e depois faça aquilo”. Percebo que, principalmente, os pacientes que já passaram por diversos outros tratamentos e foram recomendados para a DBT, tendem a acreditar que, finalmente alguém apresentará para eles um conjunto de técnicas capazes de solucionar todos os problemas. Isso não confere! DBT é muito além disso. Trata-se de uma terapia fundamentada na filosofia dialética. Ou seja, é uma visão de homem e de mundo que ela utiliza para pensar a respeito das demandas e dificuldades. A partir dela existe toda uma estrutura de tratamento bastante complexa.

– Em um tratamento baseado na DBT não é apenas o terapeuta que trabalha: Baseado no que já expliquei no tópico acima, por não se tratar de uma receita de bolo, o terapeuta não apresenta soluções mágicas para os problemas. Muito pelo contrário, é essencial que o paciente engaje 100% no tratamento, para que ele produza resultados positivos. Já atendi casos nos quais os pacientes apresentaram uma postura pacífica de “ouvintes” nas sessões, acreditando que eu ofereceria uma série de “conselhos” que nunca haviam escutado antes. Muito pelo contrário, a DBT exige real e genuíno esforço e engajamento do paciente.

– As sessões individuais, por si só, não compõem um tratamento baseado em DBT: Diferente de outros tratamentos, nos quais as sessões individuais bastam para que os resultados positivos ocorram, na DBT padrão, são necessários outros elementos para que os ganhos sejam obtidos. Isso acontece porque a DBT trata pacientes com múltiplas dificuldades. Sendo assim, as sessões individuais não são suficientes para dar conta de toda a demanda existe. Por isso, é necessário que o paciente participe também do Treino de Habilidades em DBT e que realizem adequadamente seu tratamento psiquiátrico. Em caso de atendimento a adolescentes, também é necessário que os pais passem por um acompanhamento/orientação/treinamento em DBT. Além disso, o terapeuta precisa fazer parte de um grupo de consultoria, no qual receberá o devido suporte de outros profissionais.

– DBT não serve para todos: Existe um público e uma demanda específica que deve ser submetida a um tratamento baseado na DBT. Ou seja, não basta o paciente apresentar apenas algumas variações de humor ou alguns sintomas, para que ele seja tratado pela DBT. Como já mencionei, trata-se de um tratamento bastante complexo e árduo – tanto para o paciente quanto para o terapeuta. Nem todos os casos demandam de tantas ferramentas e estratégias para que resultados positivos ocorram. Por isso, antes de determinar o tratamento, o terapeuta precisa realizar uma avaliação adequada do paciente e, quem determinará o caminho a seguir é o terapeuta, e não o paciente ou outro profissional.

Gabriele Lederer – Psicóloga

CRP-PR 08/19451
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